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Após anos à frente da equipe masculina, Leônidas Agra encerra um capítulo marcante de sua trajetória — mas segue à frente da equipe feminina, atual campeã brasileira da modalidade.
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O hóquei sobre patins brasileiro vive de histórias. E poucas se confundem tanto com a história do esporte no país quanto a da família Agra. Leônidas, o “Borracha”, encerra agora mais um ciclo de glória no comando da equipe masculina do Clube Português do Recife — uma passagem que ficará marcada pelo trabalho técnico, pela formação de atletas e pelo respeito conquistado em todas as quadras do Brasil.

Em conversa com a redação do portal, Borracha falou sobre o encerramento desse capítulo, sua trajetória, o legado da família Agra no hóquei brasileiro e o que vem pela frente.
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O Sentimento do Encerramento
Sobre o momento de transição, Borracha não esconde a mistura de emoções.
“É um sentimento de dever cumprido, com certeza. Trabalhamos muito, demos o nosso melhor, e a equipe representou o Clube Português com dignidade. Mas há saudade, sim. Saudade de cada treino, de cada jogo, da convivência diária com esse grupo. E muito orgulho. Foi um ciclo de muito aprendizado, de muita dedicação e de momentos que vou guardar para sempre.”
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O Clube Português Como Casa

Para Borracha, o Clube Português do Recife é muito mais que um clube — é parte da sua vida.
“O Clube Português faz parte da minha trajetória pessoal e profissional há décadas. Primeiro vesti essa camisa como atleta. Defendi o clube em quadras de todo o Brasil. Depois tive a honra de voltar como treinador. Esse uniforme tem significado especial para mim — representa tradição, história, identidade. O hóquei do Recife passa pelo Clube Português, e fazer parte dessa história em diferentes papéis é algo que me enche de orgulho.”
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De Atleta a Treinador
A transição entre a quadra e o banco foi algo natural, mas exigente.
“Joguei muito tempo, fui formado por grandes treinadores, aprendi com os melhores. Quando virei treinador, levei comigo tudo isso. Mas descobri que treinar é uma outra coisa. É liderança, é leitura de gente, é paciência. O jogador olha para a quadra de dentro. O treinador olha de fora — e precisa enxergar o que o atleta não está vendo. Foi um aprendizado constante, e ainda é. Cada dia eu aprendo algo novo.”
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Os Momentos que Marcam
Quando perguntado sobre o momento mais marcante dessa última passagem como treinador da equipe masculina, Borracha responde sem hesitar:
“São muitos. Mas o que mais me marca não é uma conquista específica — é o crescimento dos jogadores. Ver um atleta que chegou tímido e saiu líder. Ver um time que começou desorganizado e se transformou em equipe competitiva. As vitórias são consequência. O que fica mesmo é o processo, o trabalho, a evolução das pessoas. Isso ninguém tira de mim — nem dos jogadores.”

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Recife, Berço do Hóquei Brasileiro
Sobre o papel histórico do Clube Português e do Recife no hóquei nacional, Borracha é categórico.
“O hóquei sobre patins no Brasil tem três grandes capitais — Recife, Sertãozinho e São Paulo. O trabalho de formação que o Clube Português faz, há décadas, é silencioso, contínuo e fundamental. Sem clubes assim, o hóquei brasileiro não existiria. É preciso valorizar quem mantém a chama acesa, mesmo quando o esporte enfrenta dificuldades. O Clube Português é resistência. É memória. É futuro.”
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A Marca Que Buscou Deixar
Sobre o legado pessoal que deixa nos jogadores, a resposta é honesta.
“Eu queria deixar duas marcas. A primeira é técnica: jogadores que entendam o hóquei, que leiam o jogo, que sejam capazes de evoluir tecnicamente. A segunda — e essa para mim é a mais importante — é de caráter. Eu sempre quis formar pessoas. Atletas que saibam vencer com humildade e perder com dignidade. Que respeitem o adversário, o árbitro, o clube e a torcida. O hóquei é muito mais do que o resultado de um placar. É escola de vida. E foi assim que eu sempre tentei trabalhar.”
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A Família Agra e o Hóquei Brasileiro
A pergunta sobre o legado familiar arranca a resposta mais emocionada.
“É difícil falar disso sem se emocionar. Os Agra são uma família de hóquei e de patinação. Antes de mim, antes dos meus irmãos, já vinha vindo dos meus pais. Meu pai foi jogador e depois dirigente — viveu o hóquei nos dois lados, dentro e fora da quadra. Minha mãe foi patinadora. Meus tios também estiveram envolvidos com o esporte. A gente cresceu cercado por isso. Não foi uma escolha consciente um dia. Foi o ambiente em que a gente foi formado.”
“Depois vieram a minha geração — eu, Leonardo e Leandro. O Leandro foi um dos maiores árbitros que esse esporte já teve. Quando a Confederação Skate Brasil batizou o troféu de campeão brasileiro sênior de 2025 com o nome dele, foi uma das maiores honras que nossa família já recebeu. Foi reconhecer não apenas o Leandro, mas tudo o que essa família construiu pelo hóquei brasileiro ao longo de décadas — desde os meus pais, passando pelos meus tios, até chegar a nós. Cada vez que vejo o sobrenome Agra associado ao hóquei, lembro de todos eles. E isso me dá força para continuar.”
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O Futuro do Hóquei Brasileiro
Borracha vê o futuro com otimismo cauteloso.
“O hóquei brasileiro está em um momento de reorganização. A CSB tem feito um trabalho importante para colocar o calendário em ordem. As competições estão voltando. As escolinhas estão cheias de meninos e meninas. Isso é animador. Mas é preciso manter o ritmo. Investir na base, valorizar quem está na ponta, dar visibilidade ao esporte. Portais como o TV OK Brasil têm um papel fundamental nisso — levar o hóquei para o torcedor brasileiro de forma constante. O futuro depende do trabalho de todos.”

Mesmo encerrando o ciclo com a equipe masculina, Borracha não se despede do Clube Português — nem do hóquei.
“Eu continuo no clube, à frente da equipe feminina, que é a atual campeã brasileira da modalidade. E isso é uma honra enorme. Essa equipe representa tudo de mais importante que o hóquei brasileiro tem hoje: trabalho, paixão, qualidade, união. Quero seguir construindo essa história. As meninas merecem o mesmo respeito, a mesma dedicação e a mesma seriedade que sempre dei à equipe masculina. O ciclo com a masculina se encerra, mas o trabalho no Clube Português continua. Em outro front, com as mesmas convicções.”
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A Mensagem Final
Para encerrar, Borracha deixou um recado emocionado:
“Quero agradecer ao Clube Português do Recife pela confiança depositada em mim. À diretoria, que sempre me apoiou. À comissão técnica, que trabalhou comigo lado a lado. Aos jogadores que passaram pelas minhas mãos — vocês são parte da minha história. E à minha família, que sempre esteve ao meu lado em cada conquista e em cada momento difícil. Esse ciclo não acaba com tristeza. Acaba com orgulho do trabalho feito e com a certeza de que o melhor da minha trajetória ainda está por vir. Obrigado, Clube Português. Vamos em frente!”
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Um Treinador Que Continua
Leônidas Agra encerra o ciclo à frente da equipe masculina do Clube Português do Recife, mas mantém vivo o seu trabalho no hóquei brasileiro. Como treinador da equipe feminina — atual campeã brasileira da modalidade — segue construindo a história do clube e do hóquei nacional. E como referência viva da família Agra, mantém aceso um legado que se confunde com a história do hóquei sobre patins no Brasil.
O hóquei brasileiro agradece. O Clube Português agradece. E o esporte segue em frente — com Borracha sempre presente.